domingo, agosto 14

desejo


à noite, todas as noites um arrepio gélido corre-me pelo corpo
uma lembrança ingrata e queria tanto dizer-te,
queria tanto dizer-te que ainda ontem fui ter contigo
e tu sorriste e desviaste o olhar e o meu peito ardeu,
como daquela vez em que acordei à noite
e não tirei os olhos de ti até acordares
como se soubesse aquela noite a última noite,
quando a terra abriu quando o dia veio
para me largar na noite e na escuridão à tua falta
e queria tanto dizer-te, tanto
que agora quando tudo é dia
só lembrar-te a ternura e o peito arde
a desejar um abraço antes da partida

domingo, julho 31

por ti deixei por ti voltei


nas tuas mãos acabam as cores dos abismos e da escuridão
como se morada fossem para um sorriso
nas tuas mãos recordar é correr atrás de ti
e pedir que não entres no mar
para que não te esqueças de mim pelos teus caminhos
ou então pedir que me dês a mão
e me acompanhes por florestas cerradas e noites de insónia

sobrepostas ao tempo
nas tuas mãos um arco-íris começa e um arco-íris termina
num caminho feito de estrelas onde nunca me perco

terça-feira, julho 19

perdoem-me


mas a partir de hoje
não vou ter mais palavras

.

domingo, julho 17

pouco a pouco menos um pouco


aqui, onde o sol nunca enternece
o sexo pousa inclinado sobre os telhados
e as memórias mergulham fundo atravessando o meu ventre
e choro a minha cidade na palavra saudade
onde sempre, e tal como tu me disseste
perdemos os dias e o ganho das horas
e todas as conquistas parecem ingratas
aqui, choro esta terra perdida em excessos
no veneno do corpo nos poros da pele
vencer mais um pouco um pouco a cada dia
e morrer mais um pouco à hora de dormir

segunda-feira, julho 11

dedicatória



onde quer que estejas agora
sei que me ouves neste meu silêncio
a pedir que voes alto nesse azul eterno
onde é sempre dia e nunca anoitece
e só pode ser assim
só pode ser assim esse sítio que tantos dizem
melhor que este
- tão bonito como tu -
e na minha memória eternamente
eu pequenina, tu cheia de amor
a abrir o armário e a oferecer-me um chocolate
as tuas mãos eternas os teus olhos doces
descansa agora avó e dorme o teu sono
connosco em todo o tempo todo o teu amor

sexta-feira, julho 8

disseste que poderia ser só um tempo




Ou então, que talvez fosse melhor ficarmos só assim. E hoje pergunto-te o que só assim significa, ou se foi por te ter dito que não, que sei de mim o suficiente para não saber da espera, que me passaste a odiar.

quinta-feira, julho 7

quarta-feira, julho 6

de olhos fechados


Tive o teu corpo esta noite: o teu corpo entre os meus braços; um corpo frágil que imitava o vento no meu.
Tu: nos meus braços outra vez; um corpo magro mais doente que nunca; foram só as lágrimas e o sorriso sincero (a felicidade entre os teus lábios) onde estiveste este tempo todo? o que te fizeram, que aconteceu?
Nos teus braços: não, nos meus braços, ou os teus braços nos meus braços; num abraço; digo se precisares de alguma coisa sabes que podes contar comigo, e num sorriso afastas-te como se o orgulho fosse mais forte.
Tive o teu corpo esta noite: a noite toda, acho; tive o teu corpo esta noite depois de chegar a casa; quando antes no posto dos correios julguei ver-te com um saco azul na mão à minha procura; quando antes no posto dos correios me rendi à razão que tanto procurei e só em ti achei; na recordação, na ilusão.
Tive o teu corpo esta noite: toda a noite entre os meus braços; e a manhã levou-te.
A manhã levou-te e deixou só a loucura que acontece no sono.

Quanto tempo mais.

segunda-feira, junho 6

overdose


um quadro em branco
- aquilo em que te tornaste -
uma tela branca de sonhos rasgada
em lugar nenhum,
em nenhum olhar;
todas as noites te pinto e todas as noites te agarro
- as mãos o cabelo -
e acordo assustada;
não entendes o sonho
não entendes o nada,
não entendes o sangue ou as feridas que abrem;
todas as noites te pinto e todas as manhãs te rasgo,
um quadro em branco
- a memória entornada -
escondi os pincéis em overdose de tinta;
desejei não seres nada

quarta-feira, junho 1

as she said he said


"(...) Sex is the consolation that you are left with when you do not attain love."


Gabriel García Márquez

quarta-feira, maio 25

a new place is gathered


I could say
look at what you’ve done
look at these wounds deep inside my chest
and at those blades which replaced your fingers
they seemed so bitter
and they seemed so sweet
covered with night reflections;
this – is what I’ve learnt
night it also sleeps
and there’s a weak barrier between sleep and madness
and only two sapphires could wake me up;
it is crazy
and it is sheer folly
when a man has to lick his own tears
when a man has to drink someone’s poison
to heal his heart
to clean his blood
and kill the pain that time can only ease;
I could say
but I don’t give a fuck;
I am no man
and I refuse to suffer
so I opened my chest in rage
and pulled my heart away;
now I’m only blades
and now I’m only knifes
so if you’re looking for an heart
please – stand back
‘cause a new place was gathered
and only poison you will find.

terça-feira, maio 17

eu sigo o meu caminho


"(...)
Só eu sei quantas vezes fiz tudo para te ver,
só eu sei quantas vezes não consegui adormecer.
Só eu sei quantas vezes tentei respirar o ar que respiras,
sentir o que tu sentes, viver as duas vidas.
But i’m feeling good, espero que sintas o mesmo neste momento,
a vida são dois dias e ninguém pára o nosso tempo.
O teu sorriso passa tudo o que já eu tenha visto e é por isso que eu persisto.
Dá-me mais, quero mais, sempre mais, quero conhecer os teus ideais,
compreender para onde vais a seguir.
Mas por agora o melhor talvez seja eu estar bem sozinho.
(...)"


Expensive Soul - quero ver-te outra vez

domingo, maio 8

quarta-feira, maio 4

trap




always that wall between us
with sharpen skewers
- moving -
closer and closer
I didn't mind

(now let the water flow)

domingo, maio 1

cocoon




save me (throw me to a box) hide me
hold me (push me) love me
leave me (cut my words) kill me