terça-feira, novembro 9

flowers bloom


Spread in disorder
I always fall in love with the beauty,
and little by little I start breathing one love,
spring - revives inside my chest
and flowers bloom obstinately
expelling thorns through all my flesh.
You said
love is immortal
but it will be in grave peril
as time goes by
,
and I closed my eyes in firmness when you asked
don’t fly away from me though
or at least not forever
,
just wondering about dreams
and why do I keep diving so deeply in them,
trying to force myself to sleep
just to escape from reality.
I think
love - it is not immortal,
some dreams can last forever
and others disappear with the winter,
when wounds waste away the thorns
and flowers wither with cold.
I guess
this might be the grave,
and this might be the peril,
but I can’t promise not to fly
if beauty reappears with wings
asking me for eternity.

domingo, outubro 31

durante a noite


Percorro a casa, morna e escura; encaminho os pés desnudos pela alcatifa mole; procuro a claridade. Na janela encontro luzes de uma qualquer cidade - não, o brilho das estrelas não é o mesmo, e o cheiro da madrugada afasta-se das minhas memórias.
Lisboa, penso, tem um brilho incomparável, e todas as cores contrastam com a minha alma. O cheiro, as gentes, as ruas apertadas, a confusão dos dias, o rio, o coração a viajar com as mãos no volante.
Lisboa - Lisboa - na minha cidade tudo brilha e tudo é sempre sol, e quando a noite cai mil sorrisos inundam as ruas onde sempre mergulho.
Aqui, quase sempre é noite e mal aprendi a nadar. Aqui, apetece-me riscar os tectos e escrever o teu nome em todos os cantos.
Lisboa - deixa chover - amo cada das pedras das tuas calçadas, e sonho os meus pés desnudos sobre elas. Lembro-me do Tejo, dos meus olhos soltos na água, das mãos dadas aos amigos, da casa, da família, do coração a brilhar contigo.
Lisboa, só Lisboa.

Lisboa e todas as palavras não chegam para dizer que só a ti pertenço.

sábado, outubro 23

um dia e tudo muda


os teus ombros o teu sorriso
o teu corpo abraçado aos meus ombros
o meu corpo enroscado no teu sorriso
pergunto estás aí e só um sopro vem da janela
manhã coberta nas minhas mãos
o teu corpo o teu sorriso
a oferecer-me a ferida que só o sono acalma
manhã coberta de memórias nos teus ombros
e um reflexo de tempestade

segunda-feira, outubro 18

I can't stop pretending




with tomorrow


It was more like a dream than reality
I must have thought it was a dream while you were here with me
When you were near I didn't think you would leave
When you were gone it was too much to believe

So with tomorrow I will borrow
Another moment of joy and sorrow
And another dream and another with tomorrow

So if there some day won't be time just to look behind
There won't be reasons, no descriptions for my place and mind
There was so much I was told that was not real
So many things that I could not taste but I could feel

So with tomorrow I will borrow
Another moment of joy and sorrow
And another dream and another with tomorrow


This Mortal Coil (Gene Clark)


sexta-feira, outubro 15

just vulnerable


encontro-me no desconforto
e subitamente desconheço-me;

a chuva
– outra vez a chuva no meu telhado –
outra vez a vontade de desvanecer
num estado amoral
solitário
(totalmente só)
ninguém;

outra vez a chuva no meu telhado
a escorrer pela garganta
a estalar as unhas
a bússula
e a cobrir a almofada de um desespero
de quem quer só saber de que é feito o medo
do que serão feitas as coisas que nos levam a um fim
quando nunca antes iniciadas;

depois

o orgulho a ranger nos ossos
a desilusão
por não saber calar a vulnerabilidade

terça-feira, outubro 5

lost beauty


don’t invent me
- she said -
I can hardly see the sky
like your eyes can;
you can draw my name in the sand
in the sand letter by letter
though the sea will hit the shore
though the sea will fade your dream
- and suddently she smiled while rain was catching her eyes -
life;
it’s crazy to be alive
and each night becomes more difficult
every night;
nobody;
no direction
-
and she turned her backs to me
rushing away in a kind of play
(that night)
rain was performing

domingo, outubro 3

one day i'll ask you for a dream


behind the obvious
such sensible reflection
of metaphors and fragments
- of music -
capable of
in any stave
build a symphony
exquisitely beautiful

quarta-feira, setembro 29

shadows


já não tenho o silêncio
caio à noite exausta nos lençóis
e sonho a tua pele o rosto as mãos
já não tenho o silêncio
e acordo sempre no vazio
os olhos colados em metamorfose
a carne quente inconstante treme
a janela que não abre para o rio
já não tenho o silêncio
e o teu nome agarra-se ás fotografias
o teu nome a memória as horas
e de repente tudo some
o teu nome o silêncio
já não tenho o silêncio
e tudo se desfoca

terça-feira, setembro 21

changing rooms


The lights in the city
dress me up
though I keep moving (ahead) naked
without the warmth of your hands.
So far
everything is excessive
and I can’t say the peace anymore
- I can’t say your name anymore -
without rubbing my eyes in wilderness.
So disquiet
Can remembrances be
(I think)
I know your face by heart
as I know my way home.
- Home -
is massive
between your fingers
your two hands in firmness,
your two arms in desire.
Above my pillow
(without you)
all is unfitted
and all is tawdriness.

sábado, setembro 11

sexta-feira, setembro 3

não sei porquê há qualquer coisa, há qualquer coisa hoje



eyes won't lie


no
me olvides que yo me muero
amor
mi vida sufrimiento
yo
te quiero en mi camino
por vos
cambiava mi destino

ay
abrazame esta noche
y aunque no tengas ganas
prefiero que me mientas
tristes breves nuestras vidas
acercate a mi
abrazame a ti por Dios
entregate a mis brazos

tengo
un corazón penando
yo se
que vos lo estas escuchando
con
mil lagrimas te quiero
pasión
son mi amor sincero
(...)


Rodrigo Leão - Pasíon

quarta-feira, setembro 1

half-a-tribute



half-tribute


tudo o que é nosso
guardei naquele dia
em que o teu sorriso
ultrapassou o tamanho da lua


(metade de um tributo a quem pertenço - a quem não está: não foi esquecimento; espreita dentro do meu coração)

sábado, agosto 28

Keeping Things Whole


In a field
I am the absence
of field.
This is
always the case.
Wherever I am
I am what is missing.

When I walk
I part the air
and always
the air moves in
to fill the spaces
where my body's been.

We all have reasons
for moving.
I move
to keep things whole.



(Mark Strand 1963)

quinta-feira, agosto 26

Retorno


Subitamente, perco o controlo nas horas e o coração gira (entre mãos) pelo volante. Lembro-me das palavras e de como o tempo jurava voar quando solto dos teus lábios.

Memória.

Um corpo trémulo, fragilizado por qualquer intempérie, o meu peito em asfixia. Dói-me o corpo todo – dizias – e eu tremia contigo. A mão pelos cabelos, o desejo de um poder maior (pudesse eu curar-te), os joelhos doridos a forçar o chão. Velei o teu sono e só um toque ousei na tua pele.

Retorno no tempo e penso se, ao acordar, deste conta da cicatriz nos meus olhos.

quarta-feira, agosto 25

Vácuo



no sleep


o teu lugar
será sempre este
e é sempre um pranto vê-lo vazio

ouve - um dia - um dia teremos todos os lugares para nós

segunda-feira, agosto 23

Não rasguei as tuas páginas



hold me


olho para as coisas
como se já não me pertencessem
e já nem o meu reflexo as preenche
de tão vazias que ficaram


agora - sem ti - durmo sempre num lugar estranho

quinta-feira, agosto 19

Sacrifice me


hold me


cuida bem de mim
e guarda entre mãos o que é teu
para que
quando eu voltar
possa regressar a mim