não quero explicar a razão das manchas que cobrem o pecado, ou da salpicadura do sal que se larga na carne - não vou explicar - por favor, não me peças para explicar o que as minhas mãos entornam quando te deitas no segredo dos cantos de quem um dia foste, ou de como te agitas no teu próprio turbilhão. peço sempre por favor e mesmo assim a ternura ataca-me. um café por favor, cigarros por favor, abraça-me por favor. peço sempre com ternura e às vezes temo que a ternura mate. e largo das mãos as palavras nesta tristeza estranha de quem esquece que ninguém quer o que não entende. e até mesmo nas palavras eu sei que a loucura é um pé-de-vento que se aproxima. por favor, não me peças para explicar. deixa-me antes tentar entender.
Clapham at night time, lights wash the pretzel store, and - we're still there, my love
terça-feira, janeiro 31
sexta-feira, janeiro 27
à partida desenhas um trilho onde os teus vestígios se incendeiam – de parte a parte as chamas que não podem ser cessadas – e os lugares em volta ardem involuntariamente. já não dizemos adeus, e rapidamente os dias se resumem ao imprevisto: as horas são já só substantivos, já só acessórios da tua ubiquidade.
"There are people who can walk away from you, hear me when i tell u this! When people can walk away from you: let them walk,I dont want u to try to talk another person into staying with you, loving you, calling you, caring about you, coming to see you, staying attached to you. I mean hang up the phone. Your destiny is never tied to anybody that left. Never take away someone's hope, it may be all they have... Life is not measured by the number of breaths we take, but by the moments that take our breath away..."
Proverbs 3:5 "Trust The Lord with all your heart and lean not on your own understanding, but in all thy ways acknowledge him"
terça-feira, janeiro 17
sexta-feira, dezembro 30
porque os meus dias se encheram de ti, e não consigo calar o coração em chama. se todos os nós que me atravessam permanecem sem querer. e sem querer penso, sem querer penso e aqui habito como estrela violenta nos lençóis da carne, a arranhar as horas e os relógios em volta. nunca vi a noite. hoje sei que o tempo se desdobra em tempos equivalentes à espera. não existe noite. e tu vives no meu ventre sem os corpos em volta, sem matéria inepta. a ti, nada é merecedor. e só para ti viverei num livro onde o mundo não entra.
quinta-feira, dezembro 29
inclinação.da alma
o meu sangue está mais vermelho, e ígneo corre entre a carne e os tendões que se incendeiam nos teus dedos. tu és a força que me irrompe o peito e esgota o mundo de tudo o que existe, e assim tenho os meus dias. como se o teu rosto e o meu rosto formassem uma barragem e tu, como o princípio das coisas, nos enchesses de ouro. ou chegada a noite me talhasses o sono com a respiração e num coágulo te prendesses na minha garganta. o tempo não basta. eu já não durmo. e pacientemente espero que as horas durmam.
domingo, dezembro 25
praevisu
voluptuoso o céu das minhas noites, onde tudo é cinzento à tua ausência. estás tão longe e tão perto do âmago de tudo aquilo o que sou - onde habitas desde que disseste o meu nome. e lembro-me bem dos teus olhos e das centelhas que emanadas persignavam o meu rosto - tânia, dizias tânia - e aos teus lábios o meu nome era um cântico doce, nos teus lábios o meu nome ainda é um mundo novo de melodias desconhecidas onde o efémero não tem lugar. e mesmo à distância eu consigo ouvir o som terno da tua voz a dizer tânia, tânia com todas as letras como nunca ninguém disse - posso até ver os teus olhos e prever o movimento das tuas mãos, o que vais dizer a seguir - e ouvir no meu corpo o poema que escrevi na tua boca.
sábado, dezembro 24
Have yourself a merry little Christmas.
Let your heart be light,
From now on our troubles
Will be out of sight.
Have yourself a merry little Christmas,
Make the Yule-tide gay,
From now on our troubles
Will be miles away.
Here we are as in olden days,
Happy golden days of yore,
Faithful friends who are dear to us
Gather near to us once more.
Through the years
We all will be together
If the Fates allow,
Hang a shining star
On the highest bough,
And have yourself
A merry little Christmas now
Ralph Blane
quarta-feira, dezembro 21
terça-feira, dezembro 20
sexta-feira, dezembro 16
quinta-feira, dezembro 15
quarta-feira, dezembro 14
Fora da minha janela cai o sol sobre o que era perdido, e não há qualquer nome para descrever o momento. Lá fora perdem os dias sentido, e de nascente a poente ganham os dias sentido num percurso regrado pela imagem dos teus olhos. Dentro do meu peito em desenho de odisseia, numa força bruta que quer explodir no teu corpo e no teu corpo avigorar. Pelo teu corpo dentro e dentro da tua pele numa linguagem inesperada de quem brinca com o destino e é assolado de ternura. Do conforto das tuas mãos aquando a surpresa da ruína e da simplicidade dos teus cabelos. Ao teu lado esquecer tudo e só querer a ternura - adormecer ao som da tua voz e da palavra amor que se encontra onde mais ninguém encontra - para acordar nos teus lábios.
quinta-feira, dezembro 8
domingo, dezembro 4
desta vez não vou pedir que à ausência compreendas as feridas
ou ainda que me segures as mãos na embriaguez do teu perfume
desta vez vou deixar que me invadas e me enchas de alento
e que do alimento das árvores me preenchas a cada dia
desta vez vou dar-te a mão e levar-te até ao mar
e falar-te do fio onde o infinito se esconde