sábado, março 13

Ausência


Quando tu não estás
o mundo começa a morrer
e as crianças choram
num desespero só
na falta de um abraço,
e aos poucos,
a terra vai roubando ao firmamento
a instabilidade dos afectos.
Quando tu não estás
eu perco o chão
eu perco o ar
e os meus olhos secam que nem rosas
com o gelo
com o frio das noites sem ti,
porque só me sei situar
no meio de pétalas frescas
nos teus braços.
É este silêncio,
quando tu não estás,
este silêncio
que me rasga com unhas famintas
na intemporalidade
nos freios que perdi
quando te encontrei,
ou no que encontrei
quando te perdi.
E todos os retratos que te tirei
são impossíveis de apagar
pois nem as unhas mais ferozes
os podem rasgar da minha pele.