terça-feira, outubro 28

Delírio


Hoje sou o silêncio. Sem vento, sem os teus passos a acompanharem-me. Sem o meu nome nos teus lábios, como música. Hoje sou só o silêncio, como se me tivesse perdido do mundo no mundo. Como se tivesse calado a minha sede em encontrar-te, lacrando os meus olhos.
O que é o eterno, o que é a perfeição? O que é o sonho, o imaginário? E porque imaginas tu uma felicidade eterna, digna da perfeição, onde todos os sonhos são possíveis? Sei que nunca te julguei perfeito ou ainda eterno, e por isso roubei tantas vezes, de tantos homens e mulheres onde imaginava pedaços de ti, pedaços de sonho, pedaços de mim.
E agora este silêncio. Não existe mar, nem ondas nas rochas, ou grãos de areia entre os meus dedos.
Não há sal na minha carne.
Aqui, onde me perdi, não há nada - e bem posso fechar os olhos que não corro o risco de sonhar-te - só este delírio, só esta certeza de que hoje apenas o silêncio pode existir em mim.