segunda-feira, outubro 24

give me the words


"In a manner of speaking, I just want to say that I could never forget the way you told me everything by saying nothing. In a manner of speaking I don't understand how love in silence becomes reprimand, but the way that i feel about you is beyond words.(...)"


NOUVELLE VAGUE - In a Manner of speaking

sábado, outubro 22

et tes yeux, et tes mains, sont tout que je trouve dans la nuit


Gostava de poder escrever os teus lábios e as linhas negras que te pintam o corpo, e que tantas vezes encontro projectados na noite. Escrever e eternizar os teus olhos em assalto aos meus na luz ténue do teu quarto. Ou o momento do silêncio focado no tecto, quando sorri e te acusei de sentires a falta dela - quando te abracei e admiti também não saber do esquecimento - e consentimos na ternura a persistência da memória. Escrever. E então, para que o destino nunca se esqueça do caminho que nos fez cruzar, que só isso fique escrito.

sexta-feira, outubro 14

quase sem


E se agora te dissesse que nem mesmo o engano te levou do meu sono – ou te falasse da imensidão do escuro à tua ausência – decerto pensarias que alucino. E às vezes mesmo eu fecho os olhos e cerro os dentes com força à espera que a angústia vá. À espera que a angústia vá, e ela nunca vai. Ou então que venha o inverno, devagarinho, e faça nevar por toda a cidade, para pedir que me recebas só mais uma vez com um cobertor nas mãos, com um sorriso nos lábios. Para que te rias novamente de mim por não me ter importado com a chuva e me abraces, me abraces muito.

quinta-feira, setembro 29

(sin)


Tocava-me, inconsolavelmente tocava-me à espera de um entendimento, como se as manhãs fossem campos lavados de orvalho que, ao aparecer da claridade, vislumbrassem a purificação. Ou, como se da escuridão surgisse o engano e nós, sedados do sono, pudéssemos seduzir o destino.
Sem tempo ou espaço para um corpo nu – e não era aquilo - uma pele branca isenta de paisagens, sem entendimento. Não era aquilo. Não era aquilo e quando veio a noite veio o arrependimento. Como se fosse pecado o adormecer de um corpo, que não o teu, onde tantas vezes te amei e tu nunca me amaste.

sábado, setembro 24

quarta-feira, setembro 21

songs



Esperar, ou dizer-te baixinho entre o assobiar dos pássaros que, à falta das tuas mãos e dessas linhas negras que te circundam o coxis, o céu enche-se de um negro enorme e as cidades apagam-se mesmo antes do anoitecer. Ao longe fixar-te, ao longe dizer-te o teu nome inteiro e o teu sorriso, que o tempo do sono das safiras morreu e já é tempo de te esquecer, meu amor – todo o teu corpo e a tua carne numa despedida só – e não, nunca quis esquecer-te. Mas esta noite, como se fosse escrito, sei que um anjo volta para me dizer baixinho que outros pássaros estão para cantar.

quarta-feira, setembro 14

halves



between two castles, what shall one do with a divided heart?

sexta-feira, setembro 9

guardado entre mãos


nunca fui diferente
quando o que é ser diferente não existe na diferença,
numa única cidade uma rapsódia de cores
numa única cidade e todos os pecados num só
onde as minhas mãos foram tantas mãos,
desde a mala vermelha a deslizar pela estrada
e os óculos escuros a esconder as lágrimas,
depois do medo das ruas, e do terror da saudade
de me perder nos teus olhos e adormecer em mim,
[aqui]
nunca fui diferente e sempre fui diferente
e devagarinho agora, sem areia nos pés
a espreitar o passado e a recordar sorrisos
[mesmo que seja breve]
vou regressar a mim

quarta-feira, setembro 7

voltar | v. int. | v. tr. | v. refl.


do Lat. *voltare, *voltu por volutu < volvere, voltar, volver
v. int., ir de novo para o ponto de onde se partira; regressar; tornar a ir ou a vir; reaparecer; girar; turvar-se (o vinho);
v. tr., mudar para posição anterior; mudar a direcção de; fazer mudar de opinião; replicar; dar em troco;
v. refl., virar-se; recorrer; toldar-se

quarta-feira, agosto 31

one year later



e de seguida,
vou seguir os caminhos que tantas vezes saltam das minhas mãos

sábado, agosto 20

saber



cansada [ombros em baixo] e tudo em demasia
cansada e a saltar as horas
mesmo sem dormir [eu sei]
é sempre bom ter-te à minha espera

domingo, agosto 14

desejo


à noite, todas as noites um arrepio gélido corre-me pelo corpo
uma lembrança ingrata e queria tanto dizer-te,
queria tanto dizer-te que ainda ontem fui ter contigo
e tu sorriste e desviaste o olhar e o meu peito ardeu,
como daquela vez em que acordei à noite
e não tirei os olhos de ti até acordares
como se soubesse aquela noite a última noite,
quando a terra abriu quando o dia veio
para me largar na noite e na escuridão à tua falta
e queria tanto dizer-te, tanto
que agora quando tudo é dia
só lembrar-te a ternura e o peito arde
a desejar um abraço antes da partida

domingo, julho 31

por ti deixei por ti voltei


nas tuas mãos acabam as cores dos abismos e da escuridão
como se morada fossem para um sorriso
nas tuas mãos recordar é correr atrás de ti
e pedir que não entres no mar
para que não te esqueças de mim pelos teus caminhos
ou então pedir que me dês a mão
e me acompanhes por florestas cerradas e noites de insónia

sobrepostas ao tempo
nas tuas mãos um arco-íris começa e um arco-íris termina
num caminho feito de estrelas onde nunca me perco

terça-feira, julho 19

perdoem-me


mas a partir de hoje
não vou ter mais palavras

.

domingo, julho 17

pouco a pouco menos um pouco


aqui, onde o sol nunca enternece
o sexo pousa inclinado sobre os telhados
e as memórias mergulham fundo atravessando o meu ventre
e choro a minha cidade na palavra saudade
onde sempre, e tal como tu me disseste
perdemos os dias e o ganho das horas
e todas as conquistas parecem ingratas
aqui, choro esta terra perdida em excessos
no veneno do corpo nos poros da pele
vencer mais um pouco um pouco a cada dia
e morrer mais um pouco à hora de dormir

segunda-feira, julho 11

dedicatória



onde quer que estejas agora
sei que me ouves neste meu silêncio
a pedir que voes alto nesse azul eterno
onde é sempre dia e nunca anoitece
e só pode ser assim
só pode ser assim esse sítio que tantos dizem
melhor que este
- tão bonito como tu -
e na minha memória eternamente
eu pequenina, tu cheia de amor
a abrir o armário e a oferecer-me um chocolate
as tuas mãos eternas os teus olhos doces
descansa agora avó e dorme o teu sono
connosco em todo o tempo todo o teu amor

sexta-feira, julho 8

disseste que poderia ser só um tempo




Ou então, que talvez fosse melhor ficarmos só assim. E hoje pergunto-te o que só assim significa, ou se foi por te ter dito que não, que sei de mim o suficiente para não saber da espera, que me passaste a odiar.

quinta-feira, julho 7

quarta-feira, julho 6

de olhos fechados


Tive o teu corpo esta noite: o teu corpo entre os meus braços; um corpo frágil que imitava o vento no meu.
Tu: nos meus braços outra vez; um corpo magro mais doente que nunca; foram só as lágrimas e o sorriso sincero (a felicidade entre os teus lábios) onde estiveste este tempo todo? o que te fizeram, que aconteceu?
Nos teus braços: não, nos meus braços, ou os teus braços nos meus braços; num abraço; digo se precisares de alguma coisa sabes que podes contar comigo, e num sorriso afastas-te como se o orgulho fosse mais forte.
Tive o teu corpo esta noite: a noite toda, acho; tive o teu corpo esta noite depois de chegar a casa; quando antes no posto dos correios julguei ver-te com um saco azul na mão à minha procura; quando antes no posto dos correios me rendi à razão que tanto procurei e só em ti achei; na recordação, na ilusão.
Tive o teu corpo esta noite: toda a noite entre os meus braços; e a manhã levou-te.
A manhã levou-te e deixou só a loucura que acontece no sono.

Quanto tempo mais.